Van Gogh

Uma das funções da arte é reinventar a Natureza. É infundir-lhe alma, tornando-a uma representação dos conflitos humanos. Em poucos artistas se vê isso com tanta eloquência como em Van Gogh. É surpreendente a energia com que o pintor representa flores, objetos, figuras humanas. Ele procura captar não a aparência reconhecível, mas a dimensão profunda do que é representado e vem a traduzir seus próprios temores e obsessões. Como escreveu ao irmão Theo, num rosto importam menos os traços do que a expressão. Existe uma energia latente nos elementos da Natureza, e cabe ao artista expressá-la. Van Gogh o faz em pinceladas vibrantes e de uma rara densidade cromática. Estar diante de uma tela dele nos ajuda a entender por que Dostoiévski disse que a Beleza salvaria o mundo.

(Amsterdã, 05 de julho de 2018)

Publicado por Chico Viana

Chico Viana (Francisco José Gomes Correia) é professor aposentado da UFPB e doutor em Teoria da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em sua tese, publicada com o título de O evangelho da podridão; culpa e melancolia em Augusto dos Anjos, aborda a obra do paraibano com o apoio da psicanálise. Orientou cerca de 37 trabalhos acadêmicos, entre iniciação científica, mestrado e doutorado, e foi por dez anos pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Desde muito jovem começou a escrever nos jornais de João Pessoa, havendo mantido coluna semanal em A União e O Norte. Publicou cinco livros de crônicas.

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