Hospício Brasil

Nada como invocar Machado (sempre ele!) para explicar o Brasil. O país está me lembrando a Itaguaí do conto “O alienista”. Com adaptações, claro (e para pior). Onde na novela se lê doudo (grafia machadiana), leia-se corrupto.

Moro seria Simão Bacamarte, que pretendia colocar os doudos da cidade na Casa Verde (um hospício, por sinal, bem mais salubre do que os atuais). Mas eram tantos os doudos que, com o tempo, havia mais deles dentro do que fora do hospício.

A solução? Mudar os critérios, claro, pois a maioria é que firma o consenso. Elaborou-se então um equivalente à lei do “abuso de autoridade” para enquadrar o Dr. Simão e os que ele considerava sãos (honestos). Funcionou. Os doudos deixaram a Casa Verde, e os que estavam fora acabaram trancafiados nela. 

Itaguaí é uma espécie de microcosmo, e nada impede que o que houve lá ocorra por aqui.

Publicado por Chico Viana

Chico Viana (Francisco José Gomes Correia) é professor aposentado da UFPB e doutor em Teoria da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em sua tese, publicada com o título de O evangelho da podridão; culpa e melancolia em Augusto dos Anjos, aborda a obra do paraibano com o apoio da psicanálise. Orientou cerca de 37 trabalhos acadêmicos, entre iniciação científica, mestrado e doutorado, e foi por dez anos pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Desde muito jovem começou a escrever nos jornais de João Pessoa, havendo mantido coluna semanal em A União e O Norte. Publicou cinco livros de crônicas.

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