Notas sobre a pandemia (2)

O homem faz malabarismos num dos sinais da Epitácio Pessoa. Parece argentino ou venezuelano. Os carros param e apreciam, mesmo sem querer, a arte daquele artista de rua. Terminado o número, ele circula entre os automóveis sorrindo e estendendo o boné. Ninguém baixa os vidros. O motivo certamente é o medo do vírus, que desencoraja qualquer contato humano que implique o risco de contágio. Não se sabe se o homem é portador, mas, por via das dúvidas… Alguns veem essa possibilidade como um pretexto para continuar indiferentes. Nunca baixaram os vidros e têm agora uma boa razão para não fazer isso.

Publicado por Chico Viana

Chico Viana (Francisco José Gomes Correia) é professor aposentado da UFPB e doutor em Teoria da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em sua tese, publicada com o título de O evangelho da podridão; culpa e melancolia em Augusto dos Anjos, aborda a obra do paraibano com o apoio da psicanálise. Orientou cerca de 37 trabalhos acadêmicos, entre iniciação científica, mestrado e doutorado, e foi por dez anos pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Desde muito jovem começou a escrever nos jornais de João Pessoa, havendo mantido coluna semanal em A União e O Norte. Publicou cinco livros de crônicas.

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