Notas sobre a pandemia (10)

O coronavírus vem estimulando a veia humorística do brasileiro. Há quem veja nisso uma demonstração de insensibilidade ao sofrimento das vítimas e de seus parentes. Não é por aí. Ninguém faz humor na atual situação para subestimar a gravidade da doença ou menosprezar o sacrifício dos infectados. Faz motivado por comportamentos exóticos, às vezes ridículos, a que os indivíduos são levados por medo da infecção (há que ter espírito para suportar o longo confinamento em espaços apertados, como se vê agora). O humor é um espelho que retrata excessos, carências, deformações – comuns em situações de crise. O riso é uma resposta racional ao sofrimento. Constitui uma forma superior de resignação, e rejeitá-lo é deixar a porta aberta ao desespero.

Publicado por Chico Viana

Chico Viana (Francisco José Gomes Correia) é professor aposentado da UFPB e doutor em Teoria da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em sua tese, publicada com o título de O evangelho da podridão; culpa e melancolia em Augusto dos Anjos, aborda a obra do paraibano com o apoio da psicanálise. Orientou cerca de 37 trabalhos acadêmicos, entre iniciação científica, mestrado e doutorado, e foi por dez anos pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Desde muito jovem começou a escrever nos jornais de João Pessoa, havendo mantido coluna semanal em A União e O Norte. Publicou cinco livros de crônicas.

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