Luar de quarentena

Lua cheia, praia vazia.

Não se vê nem um casal de namorados.

A areia se faz mais branca

sob o denso círculo de luz

que se derrama no mar.

Poetas e loucos,

contra todas as recomendações,

almejam ganhar a rua.

Das varandas e janelas,

almas sombrias contemplam o

o disco inflado de luz.

O luar não purifica o vento

nem varre a peçonha do vírus,

mas faz a gente sonhar com outras noites

(livres da prisão do medo).

Publicado por Chico Viana

Chico Viana (Francisco José Gomes Correia) é professor aposentado da UFPB e doutor em Teoria da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em sua tese, publicada com o título de O evangelho da podridão; culpa e melancolia em Augusto dos Anjos, aborda a obra do paraibano com o apoio da psicanálise. Orientou cerca de 37 trabalhos acadêmicos, entre iniciação científica, mestrado e doutorado, e foi por dez anos pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Desde muito jovem começou a escrever nos jornais de João Pessoa, havendo mantido coluna semanal em A União e O Norte. Publicou cinco livros de crônicas.

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