Notas sobre a pandemia (14)

Hoje boa parte das pessoas trava suas guerras particulares para se manter em casa. Não há dúvida de que “o recesso do lar” é onde se está mais seguro. Mas a rotina doméstica, se mantida de forma imperativa e sistemática como agora, tem seu quê de enervante e potencialmente destrutivo. É um exercício de paciência e boa vontade. Dizem que as agressões a mulheres aumentaram nos últimos dias. Vez por outra pipocam notícias de violência entre casais, algumas falando de mortes. O vírus tem esse lamentável “efeito colateral” e certamente para evitá-lo muitos rompem a quarentena. A verdade é que nossa vitória sobre a doença não depende apenas de fármacos e respiradores artificiais. Depende também de que seja respirável o ar de casa, que não deve se empestear de rusgas, cobranças e queixas. Perderemos a batalha contra a epidemia se a quarentena não for também um armistício.

Publicado por Chico Viana

Chico Viana (Francisco José Gomes Correia) é professor aposentado da UFPB e doutor em Teoria da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em sua tese, publicada com o título de O evangelho da podridão; culpa e melancolia em Augusto dos Anjos, aborda a obra do paraibano com o apoio da psicanálise. Orientou cerca de 37 trabalhos acadêmicos, entre iniciação científica, mestrado e doutorado, e foi por dez anos pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Desde muito jovem começou a escrever nos jornais de João Pessoa, havendo mantido coluna semanal em A União e O Norte. Publicou cinco livros de crônicas.

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