Notas sobre a pandemia (24)

O Brasil mais parece um hospital de campanha no qual faltam respiradores para uma paciente chamada democracia. Entravado, o governo prefere o palanque ao arranque. A estagnação só não chega ao número de mortos, que cresce sem parar. Enquanto isso, assistimos a tudo presos em casa. Não acho que vamos cair numa ditadura, pois oContinuar lendo “Notas sobre a pandemia (24)”

Notas sobre a pandemia (23)

Houve quem “parabenizasse a natureza” pelo aparecimento do coronavírus, e nada é mais inoportuno (para não dizer desumano) do que uma atitude como essa. Tanto por demonstrar insensibilidade com as mortes que a covid-19 vem causando (já basta a indiferença de quem hoje nos governa), quanto pela falácia do argumento apresentado. A atual pandemia nãoContinuar lendo “Notas sobre a pandemia (23)”

Notas sobre a pandemia (22)

“Morrer só se torna alarmante quando as mortes se multiplicam, uma guerra, uma epidemia, por exemplo, Isto é, quando saem da rotina”. Deparo-me com essa passagem em “As intermitências da morte”, de José Saramago, que comecei a ler. Pelo critério do narrador, morrer se tornou alarmante para nós, brasileiros, pois no País as mortes vêmContinuar lendo “Notas sobre a pandemia (22)”

Notas sobre a pandemia (21)

O que é mais difícil suportar? A ameaça do coronavírus ou o quiproquó político que se gerou em torno da opção de ficar ou não em casa? Parece fora de dúvida que o isolamento é o melhor caminho para, num tempo breve, debelar-se a ameaça da Covid-19. Esse ponto de vista é defendido por quemContinuar lendo “Notas sobre a pandemia (21)”

Sem caminho

Num dos seus poemas, Manuel Bandeira fala dos suicidas que se matam sem explicação. Esses são os que mais impressionam.  Esconder o motivo pelo qual se chega ao “gesto extremo” aumenta-lhe o enigma e a dramaticidade. Talvez seja a atitude mais coerente, pois não há por que justificar um ato que se explica por si mesmo.Continuar lendo “Sem caminho”

Notas sobre a pandemia (20)

As ocasiões extremas têm o mérito de revelar as fragilidades de uma organização social (seja ela uma nação, uma cidade, uma família). A “normalidade” costuma escamotear as falhas e permitir que o sistema continue, a duras penas, funcionando. Esse pensamento tem me ocorrido a propósito da epidemia que atualmente assola o mundo, revelando as lacunasContinuar lendo “Notas sobre a pandemia (20)”

Mortos da pandemia

Aos mortos da pandemia não há quem vele os caixões. Se ajuntam na mesma vala promíscua, sem orações. Devem ser vistos de longe, ermos de amigos, parentes, e sem rosto em que se note da morte o aspecto indigente. Quiçá da tumba comum, nesse repouso gregário, possam eles ter na cova, não um lúgubre ossuário,Continuar lendo “Mortos da pandemia”