Notas sobre a pandemia (20)

As ocasiões extremas têm o mérito de revelar as fragilidades de uma organização social (seja ela uma nação, uma cidade, uma família). A “normalidade” costuma escamotear as falhas e permitir que o sistema continue, a duras penas, funcionando. Esse pensamento tem me ocorrido a propósito da epidemia que atualmente assola o mundo, revelando as lacunas e distorções da assistência médica em muitos países. Os Estados Unidos são um grande exemplo. Neles pobres e negros (geralmente se identificam) vêm morrendo porque não existe um sistema público de saúde. Esse é um dado vergonhoso para a nação mais rica do mundo. No Brasil, conforme temos visto pela televisão, a saúde pública é indigente. Doentes se amontoam em corredores de hospitais por falta de leitos. Quando há leitos, faltam respiradores nas UTIs. Sabe-se que laboratórios e universidades buscam incansavelmente uma vacina para a Covid-19 e devem em breve alcançar o seu propósito. Mas isso de nada adiantará se a epidemia não nos conduzir a uma forma menos negligente e mais humana de lidar com a saúde do povo.

Publicado por Chico Viana

Chico Viana (Francisco José Gomes Correia) é professor aposentado da UFPB e doutor em Teoria da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em sua tese, publicada com o título de O evangelho da podridão; culpa e melancolia em Augusto dos Anjos, aborda a obra do paraibano com o apoio da psicanálise. Orientou cerca de 37 trabalhos acadêmicos, entre iniciação científica, mestrado e doutorado, e foi por dez anos pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Desde muito jovem começou a escrever nos jornais de João Pessoa, havendo mantido coluna semanal em A União e O Norte. Publicou cinco livros de crônicas.

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