Queixas

Justificar-se e se queixar são duas atitudes perigosas. Muitos as praticam por uma espécie de automatismo, sem perceber o mal que fazem a si e aos outros. O excesso de justificativas supõe um eu carregado de culpa. Quem tem o tempo todo que se explicar vive sob a tirania alheia. Por medo de julgamentos negativos, procura sempre “dar satisfação” dos seus atos. A queixa, por sua vez, é uma forma de recriminação. Mais do que lamentar a vida, o queixoso busca agredir aqueles que seriam a causa do seu desconforto, ou da sua infelicidade. O maior problema da queixa é que ela não leva a lugar nenhum. Esgota-se nela mesma, pois no fundo o queixoso não quer mudar as coisas. Se quisesse, trocaria suas lamúrias pela ação.

Publicado por Chico Viana

Chico Viana (Francisco José Gomes Correia) é professor aposentado da UFPB e doutor em Teoria da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em sua tese, publicada com o título de O evangelho da podridão; culpa e melancolia em Augusto dos Anjos, aborda a obra do paraibano com o apoio da psicanálise. Orientou cerca de 37 trabalhos acadêmicos, entre iniciação científica, mestrado e doutorado, e foi por dez anos pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Desde muito jovem começou a escrever nos jornais de João Pessoa, havendo mantido coluna semanal em A União e O Norte. Publicou cinco livros de crônicas.

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