A cidade volta ao nível laranja, com restrições ao fluxo de pessoas nas praias. Quem circulou pela orla do Cabo Branco nos últimos dias não se surpreende com a medida: muita gente sem máscara circulava pelo calçadão e se agrupava nos quiosques.

É surpreendente o desprezo das pessoas por essa medida mínima de segurança. Nem parece que circula no ar um vírus que se transmuta em variantes cada vez mais contagiosas e letais. É como se colocar a máscara replicasse o gesto “idiota” de ficar em casa ironizado pelo presidente — esse baluarte da teimosia e da estupidez.

O Sertão já tem cidades cujos hospitais não podem receber pacientes. Está na iminência de “virar mar” — mas não no sentido de utopia regeneradora associado a essa expressão. Seria antes um mar de cadáveres.

Publicado por Chico Viana

Chico Viana (Francisco José Gomes Correia) é professor aposentado da UFPB e doutor em Teoria da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em sua tese, publicada com o título de O evangelho da podridão; culpa e melancolia em Augusto dos Anjos, aborda a obra do paraibano com o apoio da psicanálise. Orientou cerca de 37 trabalhos acadêmicos, entre iniciação científica, mestrado e doutorado, e foi por dez anos pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Desde muito jovem começou a escrever nos jornais de João Pessoa, havendo mantido coluna semanal em A União e O Norte. Publicou cinco livros de crônicas.

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