Ano-Bom e utopia

A passagem de um ano para o outro nada muda em nós. Sabemos disso, mas cultivamos a ilusão de que alguma coisa nova começa. É difícil encarar o novo ano em lhe dar cores utópicas.             Um bom cardápio dessa utopia se encontra em “Vou-me embora pra Pasárgada”, o famoso poema de Manuel Bandeira. AsContinuar lendo “Ano-Bom e utopia”

Promessas para o novo ano

Prometo em 2020 – fazer rigoroso regime entre as refeições; – botar em dia os compromissos (menos os atrasados); – ser sincero com as pessoas, sobretudo quando lhes mentir;    – fazer ginástica todas as manhãs antes de me levantar (bocejos e algumas sessões de espreguiçamento); – controlar a bebida enquanto ainda estiver sóbrio;    –Continuar lendo “Promessas para o novo ano”

Deus e a graça

A passagem do ano nos torna filosóficos. Incita-nos a pensar na morte, no tempo, em Deus. Uma das frases que mais me impressionaram na adolescência foi: “Nunca alcancei a graça do ateísmo perfeito”. Quem a escreveu foi Carlinhos Oliveira, cronista do Jornal do Brasil e boêmio carioca. Carlinhos morreu de pancreatite alcoólica e viveu torturadoContinuar lendo “Deus e a graça”

A condição

Recentemente vi na televisão uma mulher fazer o nome do pai antes de assaltar uma joalheria. Não foi a primeira fez que assisti a cenas desse tipo, envolvendo até crimes mais graves. O indívíduo invoca sinceramente a proteção divina, pois vai correr riscos e pretende sair incólume da aventura. Espera a proteção de Deus mesmoContinuar lendo “A condição”

Internet e fofoca

A internet potencializou a fofoca. A fofoca não é novidade, claro; sempre houve pessoas que precisam depreciar os outros para se sentir melhores. Mas antes a vida alheia era objeto de comentários discretos. Havia certo pudor do fuxico. Hoje a maledicência é propaganda sem limites nas redes sociais. E a coisa piora devido ao distanciamentoContinuar lendo “Internet e fofoca”

O democrata e o demagogo

O democrata se curva à vontade do povo. O demagogo curva o povo à sua vontade, dando a impressão de que age em prol do bem público. A arma do demagogo é a ideologia, que tem força de religião e lhe confere uma aura de santidade. Nimbado dessa auréola, ele ganha uma espécie de imunidadeContinuar lendo “O democrata e o demagogo”

Não é bem isso

(atualizando alguns clichês machistas) – Toda mulher gosta de apanhar (os objetos que os homens deixam pelo chão).   – Mulher não sabe dirigir (quando é o homem que orienta o tráfego). – Mulher não entende de futebol (jogado por certos pernas de pau). – Onde há confusão, tem mulher (buscando moderar os ânimos).  –Continuar lendo “Não é bem isso”

Cacófatos

— Tudo que eu quero é amá-la. — Que mala? — Não, não me refiro a mala, objeto. Falo de amar você. Amar-te. — A Marte? Você quer ir para Marte? Mas como?  — Quem disse que eu queria ir para Marte? Quero ficar na Terra, claro. Contigo. — Com Tigo? E quem é Tigo?Continuar lendo “Cacófatos”