Van Gogh

Uma das funções da arte é reinventar a Natureza. É infundir-lhe alma, tornando-a uma representação dos conflitos humanos. Em poucos artistas se vê isso com tanta eloquência como em Van Gogh. É surpreendente a energia com que o pintor representa flores, objetos, figuras humanas. Ele procura captar não a aparência reconhecível, mas a dimensão profundaContinuar lendo “Van Gogh”

Solidão cósmica

Ad Astra (Rumo às estrelas) é um filme sobre a solidão. A cósmica solidão humana. O personagem principal (interpretado por um compenetrado Brad Pitt) é convocado a procurar o pai, que há mais de duas décadas saíra numa missão encarregada de descobrir vida fora da Terra. Pensava-se que ele tivesse morrido, mas havia indícios deContinuar lendo “Solidão cósmica”

Proust e o homessexualismo

Em “Sodoma e Gomorra” – terceiro volume de “Em busca do tempo perdido –, Proust faz nas primeiras páginas uma caracterização exaustiva do homossexualismo, buscando entender (e explicar) a psique do que chama de “homens-mulheres” e “mulheres-homens”. Uma pílula retirada da página 29: “Toda criatura busca seu prazer, e, se essa criatura não é porContinuar lendo “Proust e o homessexualismo”

Argumento de amor

Ninguém tem de si uma ideia muito boa para amar o próximo por este lhe ser semelhante. Se o mandamento fosse outro, impressionaria mais. Por exemplo: “ame o próximo que seja melhor do que você”. Como tendemos a nos igualar a quem amamos, esse argumento teria grande força persuasiva. Amaríamos para sair um pouco deContinuar lendo “Argumento de amor”

O personagem que cada um é

Todo homem é mais do que “seu” personagem, por isso evite se confundir com o personagem que você é (palhaço, juiz, cínico, piedoso…). Esse tipo de confusão tipifica e estigmatiza. E sobretudo impede que emerjam outros traços da sua personalidade, pois ninguém é uma coisa só.

Discurso e verdade

Muitos tendem a julgar a opinião de quem escreve como “a última palavra”. Acham que ele é um porta-voz da “verdade”. Quem pensa assim esquece que o compromisso do escritor é sobretudo com a linguagem e que  a verdade do discurso não é necessariamente o discurso da verdade.

Feiura ideal

Fala-se muito na beleza ideal, mas pouco se comenta a feiura ideal. Até nesse aspecto, coitados, os feios sofrem preconceito. Deve ser porque diante dos feios levamos o que se convencionou chamar “choque de realidade”. Nesse caso a feiura seria, digamos, mais sincera, enquanto que na beleza haveria muito de miragem. A beleza é umaContinuar lendo “Feiura ideal”

“Bacurau” (contém spoiler)

“Bacurau” é uma alegoria sobre o nosso subdesenvolvimento. Uma espécie de “Terra em transe Hi Tech”, pois nele os bandidos usam drones e os habitantes da cidade que dá título ao filme têm telefones celulares (mas num momento crucial de suas vidas não conseguem se comunicar com ninguém e se tornam socialmente invisíveis – tãoContinuar lendo ““Bacurau” (contém spoiler)”

Exageros

Fazia um luar tão intenso, que as pessoas saíam à rua de óculos escuros. //// Ela cheirava tão mal que, quando começou a se abanar, não ficou ninguém na sala. //// A bebida tinha um gosto tão ruim, que era servida com um kit para vômito. //// Ela tinha uma língua tão comprida que, quandoContinuar lendo “Exageros”

Pintar o cabelo

Não tenho nada contra quem pinta o cabelo. É louvável o esforço de querer parecer mais jovem, driblar os anos. O problema é que às vezes se carrega na tinta. O resultado é não apenas feio como também revelador. O ideal seria esconder o artifício, negar que o tingimento é fingimento. Como não se fazContinuar lendo “Pintar o cabelo”