O oposto da hipérbole

Sempre que pergunto em classe qual o oposto da hipérbole, a turma responde que é o eufemismo. Não me deparei com esse equívoco apenas em sala de aula – também o constatei em portais de língua portuguesa.  A verdade é que o contrário da hipérbole não é o eufemismo. Essas figuras não podem se contrapor,Continuar lendo “O oposto da hipérbole”

Oxítonos

Os proparoxítonos são nobres. Os paroxítonos, triviais (correspondem à maior parte do léxico).  O que dizer dos oxítonos? Com a tônica na última sílaba, eles têm um quê de retumbante e definitivo. Só se dão por inteiro. Nada os pode mutilar, sob pena de lhes destruir a alma, o icto, a sílaba tônica. Talvez porContinuar lendo “Oxítonos”

O sol nasceu

Antigamente escrever bem era ser precioso, usar palavras pouco comuns, burilar a forma. Hoje o que se aprecia é o estilo sóbrio e descarnado, cujo modelo é Graciliano Ramos ou Dalton Trevisan.          Aí pelo século XIX, não se dizia “O sol nasceu”. Uma frase como essa era um resumo que o autor rascunhava eContinuar lendo “O sol nasceu”

Dos humores da crônica

José Montello dizia que escrever para jornal exige sobretudo disciplina. Não apenas a disciplina de se sentar semanalmente diante do computador e produzir o texto, mas o exercício diário de observar os fatos, as pessoas, e atentar no ritmo tumultuário da vida. Pois jornal é instante, urgência, celebração contraditória do hoje. O mesmo pode seContinuar lendo “Dos humores da crônica”

Na passagem acima há uma falha de regência. O verbo “impactar” é transitivo direto, ou seja, rege complemento não antecedido de preposição. A prova disso é que ele permite a conversão para a voz passiva (“O desenvolvimento do país é impactado pelo pouco investimento em educação”).  A tendência a conjugar esse verbo como transitivo indiretoContinuar lendo